blowing hearts in deep sounds

i found your smile while walking around

brought you the shiniest red i’ve ever seen

and saw you wondering what did I mean

I meant I missed you with your long hair

and got up from bed like I didn’t care

by the end of the day I was missing you again

I tried to feel your touch, collecting the drops from the rain

pelo nosso começo vir de um fim

troquei as ordens do que você representou pra mim

e de sua criancice, tive uma alegria rápida

que se instalou por falta de prática

e me roubou daquela tarde em que eu não estava afim

tive medo

da tua cara ingênua

que me deixava de alma nua

que me pedia pra ser sua

com tua lingua sem gramática

e na clara tarde, em tua companhia

construí minhas histórias

destruí todos os traços de memórias

que sobreviveram de minha teimosia

te proponho então, ficar aqui

admirando nosso contraste

de cores, formas e detalhes

entre as marcas que já deixaste em mim 

ficamos únicos, como um longo e pacífico protesto

contra todos os que hoje detesto

por te ter ao meu lado, enfim

there’s a part of me that takes a breath every time i wake up beside you

as if I had to prepare myself to be yours for the day

as if all the minutes counted

you, holding my hand tight, closing your eyes to pray

-

and when I open up my eyes, I realize reality

all dressed up, prepared to be lucky

your mouth asking me what would I ever want to be happy

my body telling you to not move, just stay steady 

-

then we live our lives under the magic blankets

during the whole time that last those sacred moments

when the atmosphere stops to englobe the density of our closeness

refusing to stay appart, fighting against all loneliness

durmo na calma de lençóis lavados

e acordo no suspiro da tua vontade de viver pra sempre.

peço ao sono pra se afastar sem fazer barulho

enquanto acredito lentamente que minha vida virou verdade

que trouxe, enfim, todas as malas

que cortei, enfim, todas as raízes.

-

penso que se você soubesse de tudo o que trouxe na bagagem

não me faria promessas de ajudar a carregá-las

mas você me surpreende ao dizer que me sente leve,

que nunca me viu tão plácida

e me traz café na cama.

-

imagino como seria amanhecer sem tua fé

você, que aprendeu a respirar acreditando.

e por um segundo paro de pensar e de te olhar

aí tudo fica ingênuo, aí a luz no teu rosto perde a graça.

-

Você então sorri como se escutasse essa narração,

muda de assunto dizendo que minhas fotos estão cada vez melhores,

me canta tua musica preferida,

e me pede pra voltarmos a dormir.

-Vômito virtual de uma formação idealizada e lugares não delimitados

-Sabe aqueles lugares que se virtualizam e viram cantos visitados sem intrusão? 

-Não.

-Sabe sim. Quantas vezes você já deu a volta ao mundo sem sair do lugar?

-Perdi as contas.

-Pois. Hoje estive pensando na possibilidade de virtualizar meu corpo e virar outros corpos sem intrusão. Você já pensou nisso?

-Sim e concluí que não dá.

-Invejei os lugares, podendo ser não-lugares.

-Dá pra visitar os não-lugares com os verdadeiros corpos, nisso eu vivo pensando. Corpo não pode deixar de ser corpo, senão quebraria o ciclo.

-Que conversa de ciclo?

-Ato falho. Quebraria o circo. Palhaço sem maquiagem é gente medíocre como todo mundo, é epistemologicamente desconcertante ter um não-corpo por opção. A tecnologia não guarda essa promessa.

-Eu acho triste. Tenho problemas de simbolismo. Sou um todo com tudo, é difícil ser esse corpo inteiro, queria ter limites, como os lugares.

-Limites são invenções da teoria da frustração. Logo, logo sairá de moda e você vai ver pra o que fomos feitos. Pra ser não-gente sem noção do que somos ou deixamos de ser. Estamos caminhando pra isso a largos passos.

-Quero férias desse corpo limitado. Quero fugir no mundo de fantasmas recalcados pelos super-egos do planeta. Não tenho mais onde fuçar história em minha soma, pois tudo em mim deixou de ser pra que uma possibilidade de transformação criativa se instalasse. Eu acho isso empolgante e triste, mas não reajo, você acha justo?

-Que te importa a idéia de justiça frente à intolerância que sentes ao ver teu corpo que se transforma? Além disso, muito mais seria necessário até que minha opinião contasse neste assunto. Seu ego é super pelo tamanho, não pelas interdições proeminentes. Meu conselho é que te despeças.

-Pra onde pensa que vai?

-Não me moverei daqui. Teu corpo é que caminha sozinho para um não-lugar tão distante quanto sua consciência, enquanto falas sintomaticamente do medo do vazio.

-Que houve? Esvaziaste-te?

-Não, mas fui acometida por uma vontade de ser pequena.

-Pois seja, mulher. Seja pequena se assim queres. Você merece.

-Merecimento agora virou motivo?

-Sempre que desejares verdadeiramente. Use isso como desculpa quando perguntas assim te vierem à cabeça. Pense: serei pequena pois mereço; feche os olhos e seja.

-Serei pequena pois mereço, fecho os olhos e sou.

transborda

ah, amigo, tem dias que a chuva interior cai mais gelada

e sai levando todo o lixo acumulado ladeira abaixo

na minha fala atormentada

mas aí lembro que sou teimosa,

grande culpada da obstrução das vias de escoamento

que não me deixou meter a mão onde devia, enquanto era tempo

ah, amigo de longe, queria-te mais de perto

salvando-me da enchente de sentimentos

me dizendo que é dia de ficar em casa, escutando teus lamentos

e que nada tem de mais em ser a própria teimosia

já que quando eu quis amar, o amor já não me queria

já que este é sempre o final de toda gota que cai fria