Chaud est ton corps quand nos bras se rejoignent dans les pauses intellectuelles de la journée. Tu me racontes tes soucis en oubliant de demander les miens. Obéissante, j’écoute tes paroles en laissant tomber l’envie de prononcer les miennes. Puis on se tait dans un instant de compréhension silencieuse et tout d’un coup, on s’aperçoit qu’il fallait juste se regarder pour être ensemble.

On s’aime en se haïssant de s’avoir trouvé trop tôt pour que nos rêves marchent en accord. Je ferme les yeux dans l’espoir de me réveiller parmi les miens et oublier tout ce qu’on a essayé de vivre - ces moments de rage romantique transformée en sexe sauvage qui maintenant m’empêchent de dormir car je suis salle, impure.

C’est dans la fermeture des yeux, donc, que notre petite confusion amoureuse se déploie et trouve une façon de s’installer pendant tout le moment que l’ombre se propage dans l’espace qui nous sépare. Tu te trouves devant moi, mais loin comme tout ce que je connais. Par réaction inconsciente, j’éloigne mes pensés sans réussir à m’éloigner physiquement de ton corps, qu’au début était chaud et qui ne l’est plus, depuis notre premier contact. 

Dans un mouvement de désespoir, je prends une photo mentale de ton visage détruit. Je voulais me souvenir de la trace que j’avais laissé après t’avoir compris. Je garde la photo pour la souffrance du dimanche matin, quand je me réveillerai seule, même étant en couple. Pour les moments où je décide de te voir et tu trouves une façon de ne pas réaliser mon désir, car il te contredit.

Dans notre dernière seconde ensemble, j’assume mes derniers mots, t’embrasse dans la joue et t’efface de mon espoir. Tu n’est plus celui qui avait réussi à me faire revivre ma jeunesse perdue trop tôt, mais celui qui m’a fait vieillir rapidement dans le peu de temps qu’on s’est accordé. 

Un petit message de remerciement par les apprentissages sur la théorie de la frustration et je pars, en regardant en arrière. Je te donne la main et tu refuses. Je pars en panne d’avoir cru que la vie en début de semaine était plus joyeuse à tes côtés. Parfois on fait des erreurs comme ça. 

E ela vai

Deitei na cama do quarto da casa onde cresci e pensei na vida que passou e passa, que adormece e acorda quando ela vai e volta. Segurei o desesperado choro de saudade, por ter aprendido com a experiência das idas e vindas, sobre os benefícios de uma partida serena. Olho pro meu quarto hoje, da mesma forma como já olhei pra tantos outros onde já morei desde que parti pela primeira vez, tentando guardar na mala da memória, aquilo que não podemos levar na mochila. Penso na minha outra casinha, no canto que virou quase meu e libero a vontade-de-ir, pra que ela reine soberana sobre a pena de deixar-o-aqui. 

Decidi então contar e me ví indo ao “lá(r)” pela oitava vez. Pessoas têm me perguntado se vai ficando mais fácil ou mais difícil, mas à cada uma, dei uma resposta diferente, todas discordantes entre si. Partidas não seguem uma linha crescente/decrescente; elas ondulam entre sorrisos de sonhos e nós na garganta de incertezas.

Em 2008, deixei um mundo de amores. Em 2014, esses amores não apenas perduram como tais, como se multiplicaram, constatando que as distâncias nunca perdem para sentimentos verdadeiros. Deixei uma família maravilhosa, com pais companheiros, irmãos maravilhosos, uma avó que tinha medo de não mais me ver, amigos que sempre me sustentaram e estiveram ao meu “lado” mesmo longe, um ensino médio não concluído e 17 anos de projeções numa cidade em que eu nem sempre soube compreender, mas que nunca deixou de me acolher de braços abertos.

Concluí o ensino médio, me formei num curso pelo qual sou apaixonada e em duas semanas começarei meu mestrado tão desejado. Mas quando chego à Natal, sinto que todas essas conquistas formais, por mais bonitas que elas sejam, tornam-se irrelevantes, frente à alegria brilhando nos olhos daqueles que me amam. Uma alegria que me acolhe de volta, que me entrega o direito de estar em casa, sem cobrar nada além da minha presença. 

Deus me permitiu morar numa cidade linda, e de nela, conquistar uma família de pessoas com as quais sei que posso contar. Mais ainda, permitiu que eu não caísse no esquecimento, coisa de que tinha medo ao ir embora. Há exatamente um ano atrás, eu me prometi que faria o possível pra levar luz à vida daqueles que estão ao meu lado; perto ou longe. Sei que não consigo fazer isso sempre, ou com todos, mas tive a sensação de que cada encontro durante este mês de férias, me fez enxergar essa promessa de modo inverso. Cada abraço, cada sorriso, cada pergunta interessada sobre como eu estou, sobre o que tenho feito e os infinitos desejos sinceros pra que eu continue minha luta de forma plena, me serviram de combustível e reascenderam uma pequena lâmpada de amor dentro de mim. Eu me senti imensamente amada por todos que de algum modo, se alegraram pela minha rápida presença.

Agradeço sempre muito à Deus, por ser minha força Maior e meu guia. A Nossa Senhora Auxiliadora, por ser minha mãe do céu, quando a mãe da terra não pode me dar a mão, nos infinitos momentos difíceis pelos quais eu tenho que passar. Mas sempre tenho a sensação de que agradeço pouco àqueles que de uma forma ou de outra, contribuem para que eu consiga suportar o real das escolhas que fiz e faço, sempre que escolho não voltar, não desistir.

Mas hoje espero conseguir demonstrar o tamanho da minha gratidão a todos os que me deram a oportunidade de compartilhar momentos nessas férias. Aos que eu não consegui encontrar, mais uma vez perdão por continuar não sabendo lindar direito com meus horários e prioridades, estou tentado melhorar nisso.

Amanhã embarco para a fluidez do meu futuro. Volto pros meus projetos, pra minha casa e para a minha outra vida, que fica interrompida, guardada, quando estou por aqui. Destranco ela da gaveta das tantas outras saudades e ponho esta no lugar, pra proteger com carinho, tudo aquilo que nesse tempo me deu vida, paz e LUZ.

McCandless’ letter to Franz

Alex here. I have been working up here in Carthage South Dakota for nearly two weeks now. I arrived up here three days after we parted in Grand Junction, Colorado. I hope that you made it back to Salton City wihtout too many problems. I enjoy working here and things are going well. The weather is not very badn and many days are surprisingly mild. Some of the farmers are even already going into their fields. It must be getting rather hot down there in Southern California by now. I wonder if you ever got a chance to get out an dsee how many people showed up for the March 20 Rainbow gathering there at the hotsprings. It sounds like it might have been a lot of fun, but I don’t think you really understand these kind of people very well.

I will not be here in South Dakota very much longer. My friend, Wayne, wants me to stay working at the grain elevator through May and then go combining with him the entire summer, but I have my soul set entirely on my Alaskan Odyssey and hope to be on my way no later than April 15. That means I will be leaving here before very long, so I need you to send any more mail I may have received to the return address listed below.

Ron, I really enjoy all the help you have given me and the times we spent together. I hope that yo will not be too depressed by our parting. It may be a very long time before we see each other again. But providing that I get through ths Alaskan Deal in one piece you will be hearing form me again in the future. I’d like to repeat the advice I gave you before, in that I think you really should make a radical change in your lifestyle and begin to boldly do things which you may previously never have thought of doing or been to hesitant to attempt. So many people live within unhappy circumstances and yet will not take the initiative to change their situation because they are conditioned to a life of security, conformity, and conservatism, all of which may appear to give one piece of mind, but in reality nothing is more damaging to the adventurous spirit within a man than a secure future. The very basic core of a man’s living spirit is his passion for adventure. The joy of life comes from our encounters with new experiences, and hence there is no greater joy than to have an endlessly changing horizon, for each day to have a new and different sun. If you want to get more out of life, Ron, you must lose your inclination for monotonous security and adopt a helter-skelter style of life that will at first appear to you to be crazy. But once you become accustomed to sch a life you will see its full meaning and its incredible beauty. And so, Ron, in short, get out of Salton City and hit the Road. I guarantee you will be very glad you did. But I fear that you will ignore my advice. You think I am stubborn, but you are even more stubborn than me. You had a wonderful chance on your drive back to see one of the greatest sights on earth, the Grand Canyon, something every American should see at least once in his life. But for some reason incomprehensible to me you wanted nothing but to bolt for home as quickly as possible, right back to the same situation which you see day after day after day. I fear you will follow this same inclination in the future and thus fail to discover all the wonderful things that God has placed around us to discover. Don’t settle down and sit in one place. Move around, be nomadic, make each day a new horizon. You are still going to live a long time, Ron, and it would be a shame if you did not take the opportunity to revolutionize your life and move into an entirely new realm of experience.

You are wrong if you think Joy emanates only or principally from human relationships. God has placed it all around us. It is in everything and anything we might experience. We just have to have the courage to turn against our habitual lifestyle and engage in unconventional living.

My point is that you do not need me or anyone else around to bring this kind of light in your life. It is simply waiting out there for you to grasp it, and all you have to do is reach for it. The only person you are fighting is yourself and your stubbornness to engage in new circumstances.

Ron, I really hope that as soon as you can you will get out of Salton City, put a little camper on the back of your pickup, and start seeing some of the great work that God has done here in the American West. you will see things and meet people and there is much to learn from them. And you must do it economy style, no motels, do your own cooking, as a general rule spend as little as possible and you will enjoy it much more immensely. I hope that the next time I see you, you will be a new man with a vast array of new adventures and experiences behind you. Don’t hesitate or allow yourself to make excuses. Just get out and do it. Just get out and do it. You will be very, very glad that you did.

Take care Ron,

Alex

Sai cansada da longa ob(sessão) de fotos

morta de fechar o olhar pra tentar enxergar mais mágicas

esperando que a decisão da câmera mudasse o foco do meu pensamento

e eu pudesse repousar por ob(secar) minhas lágrimas

blowing hearts in deep sounds

i found your smile while walking around

brought you the shiniest red i’ve ever seen

and saw you wondering what did I mean

I meant I missed you with your long hair

and got up from bed like I didn’t care

by the end of the day I was missing you again

I tried to feel your touch, collecting the drops from the rain

pelo nosso começo vir de um fim

troquei as ordens do que você representou pra mim

e de sua criancice, tive uma alegria rápida

que se instalou por falta de prática

e me roubou daquela tarde em que eu não estava afim

tive medo

da tua cara ingênua

que me deixava de alma nua

que me pedia pra ser sua

com tua lingua sem gramática

e na clara tarde, em tua companhia

construí minhas histórias

destruí todos os traços de memórias

que sobreviveram de minha teimosia

te proponho então, ficar aqui

admirando nosso contraste

de cores, formas e detalhes

entre as marcas que já deixaste em mim 

ficamos únicos, como um longo e pacífico protesto

contra todos os que hoje detesto

por te ter ao meu lado, enfim

there’s a part of me that takes a breath every time i wake up beside you

as if I had to prepare myself to be yours for the day

as if all the minutes counted

you, holding my hand tight, closing your eyes to pray

-

and when I open up my eyes, I realize reality

all dressed up, prepared to be lucky

your mouth asking me what would I ever want to be happy

my body telling you to not move, just stay steady 

-

then we live our lives under the magic blankets

during the whole time that last those sacred moments

when the atmosphere stops to englobe the density of our closeness

refusing to stay appart, fighting against all loneliness

durmo na calma de lençóis lavados

e acordo no suspiro da tua vontade de viver pra sempre.

peço ao sono pra se afastar sem fazer barulho

enquanto acredito lentamente que minha vida virou verdade

que trouxe, enfim, todas as malas

que cortei, enfim, todas as raízes.

-

penso que se você soubesse de tudo o que trouxe na bagagem

não me faria promessas de ajudar a carregá-las

mas você me surpreende ao dizer que me sente leve,

que nunca me viu tão plácida

e me traz café na cama.

-

imagino como seria amanhecer sem tua fé

você, que aprendeu a respirar acreditando.

e por um segundo paro de pensar e de te olhar

aí tudo fica ingênuo, aí a luz no teu rosto perde a graça.

-

Você então sorri como se escutasse essa narração,

muda de assunto dizendo que minhas fotos estão cada vez melhores,

me canta tua musica preferida,

e me pede pra voltarmos a dormir.